O diabetes mellitus tipo 2 é uma das doenças modernas mais preocupantes no mundo todo, podendo ser considerada como um resultado do nosso estilo de vida e das facilidades oferecidas pela tecnologia.

O número de diabéticos do tipo 2 vem aumentando consideravelmente em decorrência da alimentação e da vida sedentária, principalmente, sendo esses os dois fatores mais preponderantes.Um terceiro fator vem preocupando a medicina nos últimos tempos: a idade.

Quanto mais longevidade uma pessoa possuir, mais propensa se torna a desenvolver a diabetes tipo 2. Em pessoas com mais de 70 anos, o percentual de diabéticos ultrapassa os 20% e, de forma geral, para homens e mulheres, a possibilidade de desenvolver diabetes durante a vida é de 30%.

Mesmo se tratando de uma doença bastante comum, o número de casos não controlados da doença é bastante alto. Muitas pessoas podem levar mais de 10 anos para diagnosticar e tratar o diabetes. Desta forma, a detecção precoce de diabetes é uma das prioridades dos sistemas públicos de saúde, procurando não somente melhorar os métodos de triagem, mas também fazer a prevenção da doença antes que ela se desenvolva.

Leia neste artigo mais informações sobre os sinais, fatores de risco e diagnóstico do diabetes mellitus.

Primeiros sinais de diabetes mellitus

O diabetes mellitus tipo 2, diferente do tipo 1, que é provocado por causas genéticas, desenvolve-se aos poucos, sem que o paciente possa perceber. Segundo os estudos e pesquisas médicas, o diabetes tipo 2 é detectado, na maior parte das vezes, com uma média de 10 anos de atraso.

Os sintomas da doença são múltiplos, não havendo uma especificidade. A doença pode se manifestar da seguinte maneira:

Por se tratar de sintomas tão variados, o diabetes tipo 2 só é diagnosticado quando valores elevados de glicose são observados em testes de urina, além do considerável aumento de açúcar no sangue em exames de rotina.

Essa doença pode não gerar qualquer desconforto no paciente. Muitas vezes, outros sintomas, como distúrbios visuais, que acontecem quando as pálpebras sentem os efeitos da glicose osmoticamente ativa, não são associados com o desenvolvimento de diabetes tipo 2.

Como consequência do aumento crescente de glicose no sangue, o paciente diabético começa a apresentar danos na pele, uma vez que as infecções com fungos e bactérias também ocorrem em razão de esses microrganismos usarem o açúcar como alimento.

Em alguns pacientes, pode haver a ocorrência de prurido, principalmente nas áreas genital e anal. Além disso, a pele do rosto pode começar a se tornar avermelhada, consequência da Rubeosis diabética.

O diabetes tipo 2 também pode provocar distúrbios da potência sexual ou supressão do ciclo menstrual. Os sintomas iniciais típicos do diabetes apresentam-se como microalbuminúria, ou seja, a passagem de albumina do sangue para a urina, em quantidade que pode variar de 30 mg a 300 mg da substância em apenas 24 horas, ou uma quantidade entre 20 mg a 200 mg de albumina por litro de urina de forma espontânea.

Contudo, a microalbuminúria pode ter uma variação de flutuação bastante pronunciada, podendo haver diferenças de até 40% nos resultados. Dessa maneira, um exame só pode ser considerado positivo quando dois entre três testes laboratoriais confirmarem a presença de albumina no sangue.

É importante destacar que outras condições médicas também podem aumentar a eliminação de albumina, como ocorre com infecções do trato urinário, depois de muito esforço físico, em situações de febre ou quando o paciente apresenta alterações da pressão sanguínea.

Fatores de risco para diabetes mellitus tipo 2

Os fatores de risco para o desenvolvimento do diabetes tipo 2 são bastante variados, embora nem todos possam ser decorrência do próprio paciente. Um dos mais importantes, segundo os médicos, é com relação à alimentação e a obesidade, aliados à vida sedentária.

Sabe-se que até 70% dos casos de diabetes do tipo 2 podem ser resolvidos através da mudança do estilo de vida, com alimentação equilibrada e exercícios físicos regulares.

Para pessoas que não vivenciam fatores de risco para o diabetes tipo 2, a recomendação é que haja menos consumo de açúcar a partir dos 45 anos.

Veja abaixo os principais fatores de risco para diabetes mellitus tipo 2:

Obesidade e falta de exercício contribuem para o desenvolvimento do diabetes

Um dos fatores considerados com maior frequência como precursor do diabetes tipo 2 é a intolerância à glicose, que faz parte da denominada síndrome metabólica, um conjunto de determinadas condições médicas que são consideradas como fatores de risco para a doença, tais como:

  • A obesidade, principalmente quando há aumento da circunferência abdominal;
  • A dislipidemia, com elevação do número de triglicérides e redução do colesterol HDL no sangue;
  • A pressão sanguínea descontrolada.

Os fatores de risco mais frequentemente preponderantes para o desenvolvimento do diabetes tipo 2 são o excesso de peso decorrente de uma alimentação desequilibrada ou excessiva e da falta de atividades físicas, embora nem sempre sejam decisivos.

No entanto, essa condição não significa necessariamente que todas as pessoas obesas possam desenvolver o diabetes tipo 2 ou, ainda, que o peso normal possa prevenir o desenvolvimento da doença.

Os estudos médicos sobre o diabetes mellitus tipo 2 demonstraram que cerca de 80% dos diabéticos do tipo 2 apresentam obesidade ou sobrepeso. Além disso, menos de um em cada três fatores de risco podem ser beneficiados com medidas preventivas, como perda de peso e ajuste do estilo de vida.

Fatores de estresse promovem o desenvolvimento de diabetes

Constata-se também, através das pesquisas e estudos sobre o diabetes mellitus tipo 2, que existem fatores que podem ter influência sobre o paciente. Esses fatores incluem, principalmente, situações de estresse orgânico, como cirurgias, traumas, infecções ou problemas metabólicos e uso de drogas, sendo o diabetes uma consequência dessas condições.

Componentes hereditários aumentam o risco de diabetes

Observa-se também no diabetes tipo 2 que filhos de pais que desenvolveram a doença apresentam um risco de 50% de também desenvolver a doença. No caso de gêmeos idênticos, a possibilidade de ambos terem diabetes é a mesma para ambas as pessoas: quando o diabetes atinge um deles, fatalmente o outro também será diabético.

Contudo, há que se notar que as condições genéticas não podem ser responsabilizadas isoladamente pela doença, devendo estar presente uma combinação de fatores, tanto biológicos quanto psicossociais.

De forma geral, as crianças aprendem com o comportamento nutricional e com as atividades dos pais, cometendo os mesmos erros que, mais tarde, irão contribuir para o desenvolvimento do diabetes mellitus.

O desenvolvimento do diabetes não se mostra exclusivamente genético, já que o risco para que um cônjuge de diabético também tenha o tipo 2 pode ultrapassar 25%, independentemente de idade, de duração do relacionamento, do peso ou do status socioeconômico.

Ou seja: o comportamento favorável para o diabetes mellitus tipo 2 pode ser encontrado no ambiente social.

A situação residencial tem influência no desenvolvimento de diabetes

Por estranho que possa parecer, os médicos discutem o fato de o início do diabetes tipo 2 estar relacionado à situação residencial do paciente. Segundo pesquisas, um local fácil de acesso à alimentação industrializada e fast food, com poucas áreas verdes e desvantagens estruturais podem promover o desenvolvimento do diabetes tipo 2.

Essa ligação é bastante óbvia, já que, quando não há locais para crianças e adolescentes brincarem, havendo também uma dieta não saudável, com altos teores de açúcar e de gordura, predispõem o organismo ao diabetes tipo 2.

Em situações desse tipo, é necessário manter um controle e visitar o médico periodicamente, tomando medidas preventivas e de detecção precoce, um caso que não é tão necessário em regiões com estrutura melhor, com parques e jardins e menos contato com a alimentação industrializada.

Detecção precoce de diabetes mellitus

O número de casos de diabetes mellitus tipo 2 somente no Brasil subiu de 5,5% da população em 2014 para 8,9% em 2016, ou seja, temos aproximadamente 18,5 milhões de diabéticos, somente entre os já diagnosticados.

O Brasil possui planos de prevenção, embora sua implementação não seja tão simples. Em razão disso, é importante encontrar estratégias que possam realmente prevenir a doença e fazer estudos de detecção precoce em intervalos apropriados, sempre que existir qualquer fator de risco para a doença.

É importante ressaltar que, atualmente, existem diversos modelos para triagem do diabetes tipo 1 em andamento, incluindo testes de detecção de anticorpos, já que o diabetes tipo 1 é uma doença autoimune ou idiopática, quer dizer, sem causa específica.

O diabetes mellitus tipo 1 normalmente mostra sintomas mais graves, como perda de peso severa, redução das condições físicas e orgânicas e coma diabético

Quando se identifica precocemente o diabetes tipo 1, há possibilidade de redução de manifestações com sintomas mais graves da doença, que podem levar o paciente ao risco de morte. Os anticorpos específicos conhecidos do diabetes mellitus tipo 1 são, principalmente, os anticorpos anti-GAD, contra glutamato descarboxilase; anticorpos anti-IA-2, contra a tirosina fosfatase 2; e os anticorpos citoplasmáticos de células de ilhotas, contra gangliósidos.

Por que os estudos de detecção precoce são recomendados?

O diabetes mellitus tipo 2 apresenta poucos ou nenhum dos sintomas nos primeiros anos de desenvolvimento da doença. Contudo, trata-se de uma doença bastante grave, principalmente porque o diabetes é a causa mais frequente de insuficiência renal com necessidade de diálise, além de cerca de 30% dos casos de cegueira. Além disso, o diabetes também apresenta um risco aumentado de doenças cardiovasculares, incluindo acidente vascular cerebral e ataque cardíaco.

O diabetes provoca ainda danos nos vasos sanguíneos e nervos, o que pode levar à síndrome do pé diabético, exigindo, em muitos casos, a amputação de partes dos membros inferiores.

O diabetes, como podemos notar, é uma doença que provoca grandes custos para o sistema de saúde, podendo ser reduzido através da detecção precoce, trazendo vantagens para o paciente e para a sociedade como um todo.

Através da detecção precoce, segundo estudos médicos, a taxa de complicação dos problemas provocados pelo diabetes pode ser reduzida em 13%. Para o diabético, a perda de anos de vida em pacientes diagnosticados por triagem foi de 1,96 anos, enquanto que o grupo de controle, no qual o diabetes foi encontrado em testes de rotina, foi de 3,42 anos.

O diagnóstico precoce do diabetes também pode levar a consequências menos prejudiciais e reduzir a mortalidade. A detecção precoce do diabetes é bastante segura e oferece baixíssimos riscos de causar danos ao paciente. Contudo, os exames devem ser meticulosos, uma vez que existe a possibilidade de testes com falso positivo, o que pode levar o médico a aplicar uma terapia contra a doença mesmo em pacientes que não a tenham.

Os medicamentos que fazem parte do tratamento contra o diabetes mellitus tipo 2 oferecem riscos de efeitos colaterais e, além disso, o diagnóstico da doença pode ser desagradável para o paciente.

Vale dizer, no entanto, que, de acordo com os estudos e pesquisas médicas, a ocorrência de transtornos de depressão e ansiedade, assim como outras doenças mentais associadas ao diagnóstico do diabetes, não é maior entre os doentes do que no restante da população.

Em que idade fazer uma investigação para detecção precoce?

Os exames de rotina para análise e detecção da doença nos grupos de risco devem ser feitos a partir de 35 anos, tanto para açúcar no sangue quanto para colesterol, devendo ser feitos pelo menos a cada dois anos.

No caso de pessoas em grupos de risco, a determinação da glicemia é indicada periodicamente, devendo seguir rigorosamente a recomendação médica quanto aos exames para detecção.

Os grupos de risco para o diabetes mellitus tipo 2 incluem:

  • Pessoas obesas;
  • Pacientes com hipertensão arterial;
  • Dislipidemia;
  • Histórico familiar de diabetes, com parentes de primeiro grau portadores da doença;
  • Mulheres, principalmente, após o parto com crianças com peso superior a 4,5 kg, ou quando apresentam diabetes gestacional;
  • Pacientes com tolerância à glicose já registrada.

Como ocorre um estudo de detecção precoce?

O exame para detecção precoce do diabetes normalmente é feito em laboratórios credenciados pelo sistema de saúde. Ele inclui a coleta de sangue venoso e, havendo necessidade, um teste de urina, sendo comparados os dados anteriores pelo médico.

Para determinação da glicemia em jejum, o paciente não deve se alimentar nas oito horas anteriores à retirada de sangue e não deve ingerir nenhum líquido a não ser água.

Para retirada das amostras de sangue destinadas a triagem de outros fatores de risco, o paciente também não deve fumar pela manhã.

Diagnóstico de diabetes mellitus

A determinação de glicemia em jejum é de fundamental importância para o diagnóstico do diabetes. Também deve ser determinado o valor de HbA1c, que fornece informações sobre a concentração de glicose no sangue nos últimos dois ou três meses. Na maior parte dos casos, o diabetes pode ser diagnosticado através do exame de urina.

Glicemia de jejum para medição de glicose no sangue

A glicemia em jejum demonstra a quantidade de glicose em um volume de plasma sanguíneo. Uma determinada quantidade de açúcar sempre deve aparecer no sangue, garantindo a nutrição dos órgãos. O cérebro é um órgão que se utiliza da glicose para suas atividades, dependendo de contínuo suprimento da substância através da corrente sanguínea.

Normalmente, uma pessoa apresenta problemas orgânicos quando passa por uma hipoglicemia, com valores inferiores a 60 mg/dl de glicose no sangue. No entanto, quando há excesso, acima de 100 mg/dl, a situação também é prejudicial para o paciente.

A hiperglicemia prejudica os vasos sanguíneos e os nervos, provocando sequelas do diabetes, como sensibilidade na pele e danos aos rins e aos olhos. De forma normal, o corpo humano saudável tem condições de manter os níveis de açúcar no sangue dentro de certos limites, mas no diabetes, essa condição não é possível.

Os valores de glicemia em jejum, de uma maneira geral, podem ser utilizados para o rastreio de diabetes, comparando os resultados encontrados. Antes de determinar a glicemia em jejum, o paciente deve estar sem se alimentar por pelo menos 8 horas. Nos indivíduos saudáveis, os valores de glicose no sangue devem ser inferiores a 100 mg/dl. Se o valor limite de 126 mg/dl for excedido, constata-se que o paciente apresenta diabetes.

Entre esses valores, os médicos podem determinar uma glicemia de jejum anormal, que deve ser esclarecida em razão de algumas circunstâncias. Os aumentos temporários de glicemia em jejum podem se manifestar depois de um infarto do miocárdio ou de um acidente vascular cerebral, além de inflamações, aumento da pressão cerebral e de ácido tiazídico.

A situação pode ser causada pelo excesso de produção de hormônios do estresse no organismo que, entre outras ocorrências, garantem que o açúcar também seja liberado na corrente sanguínea.

HbA1c fornece uma visão geral dos valores de glicose no sangue nos últimos meses

O exame HbA1c apresenta um valor percentual. A proporção de glóbulos vermelhos, que é quimicamente alterada pela presença de açúcar no sangue, deve ser registrada. Uma vez que os glóbulos vermelhos podem viver até 120 dias, ou três meses, o HbA1c fornece ao médico uma visão geral dos níveis de glicose no sangue nos últimos meses.

Quando há um valor de HbA1c abaixo de 5,7%, o paciente não apresenta diabetes, enquanto que valores acima de 6,5% determinam a presença da doença. Os valores entre 5,7% e 6,4% vão exigir maior esclarecimento através da determinação da glicemia em jejum ou de um teste oral de tolerância à glicose, ou OGTT.

Açúcar e proteína na urina indicam diabetes

Os estudos de triagem para detecção do diabetes mellitus tipo 2 se concentram na glicemia em jejum, enquanto que o diabetes já presente pode ser detectado através do teste de urina.

Na urina, é possível encontrar açúcares e corpos de proteínas de cetona. A glucosúria, ou açúcar na urina, ocorre quando o denominado limiar renal de 150 a 180 mg/dl no sangue é excedido. Acima dos valores apresentados, os rins perdem a capacidade de filtrar o açúcar para fora da urina, uma vez que os transportadores de açúcar já se encontram totalmente carregados.

Os corpos de cetona são subprodutos da queima de gordura, que aparecem quando ocorre uma deficiência de carboidratos. O diabetes mellitus apresenta enriquecimento do sangue com açúcar, contudo, em razão da falta de insulina ou de sua deficiência, o açúcar não pode ser absorvido pelas células, havendo uma deficiência relativa de carboidratos.

As proteínas na urina aparecem quando a função de filtragem dos rins é restrita, ocorrendo a presença de albumina de plasma na urina. Dependendo da quantidade de proteínas, pode ser diagnosticada a microalbuminúria ou a macroalbuminúria.

A microalbuminúria caracteriza a nefropatia diabética, com a presença de 30 a 300 mg de albumina em coleta de 24 horas, e 20 a 200 mg de albumina por litro em situações normais. A macroalbuminúria está relacionada à excreção de albumina em valores acima de 300 mg/dia.

O teste oral de tolerância à glicose (OGTT) fornece clareza

O teste de glicemia em jejum é crucial para determina a presença de diabetes mellitus, sendo tão importante como o teste de tolerância à glicose oral. O teste de tolerância à glicose oral, no entanto, não é tão recomendado na rotina dos exames clínicos, já que é comparativamente mais demorado e mais caro.

O OGTT é utilizado principalmente em casos de pouca evidência, sendo o teste padrão para diagnóstico de diabetes gestacional em mulheres grávidas entre 24 a 28 semanas.

A avaliação do teste é similar à avaliação da glicemia plasmática em jejum, apresentando resultados diagnosticados como saudável, tolerância ou prediabetes de glicose aumentada ou diabetes.

Para o teste de tolerância à glicose oral, a glicemia plasmática em jejum é determinada pela primeira vez após pelo menos 8 horas de jejum. Após o exame, ingere-se 75 mg de glicose e determina-se o seu valor no sangue é novamente duas horas após a administração da substância.

Pessoas saudáveis apresentam valores inferiores a 140 mg/dl. O diabetes pode ser diagnosticado como presente em valores de 200 mg/dl ou mais. Os valores intervenientes apresentam uma tolerância patológica à glicose, devendo o paciente ser observado mais atentamente.

Fontes: